Em artigo, especialista afirma: Educação é processo

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*por Lupércio Aparecido Rizzo    

lupercio Na administração existe uma metodologia de trabalho voltada para a melhoria contínua  chamada PDCA (plan–do–check –adjust), que, em tradução literal, significa planejar,  executar, verificar e agir. Ou seja, não se melhora da noite para o dia com mudanças  intempestivas, mas com trabalho dedicado, sério e ininterrupto.

No mundo corporativo, tal como na vida em geral, as instituições e as pessoas são  cobradas pelas suas entregas. As organizações se situam em mercados competitivos nos  quais os resultados são oriundos de sua qualidade, confiabilidade, preços, prazos e  muitos outros aspectos. As pessoas em suas vidas particulares são cobradas pela sua  educação, cordialidade, fidelidade, e um sem número de atributos que se espera de um  ser humano nas mais variadas circunstâncias.  Sempre somos cobrados pelas nossas  entregas.  É óbvio que as pessoas, assim como as empresas, não nascem prontas e, em  que pese o  fato de jamais alcançarem a perfeição, a procura é constante. Qualquer  pessoa ou empresário sabe que a excelência é fruto de treino, estudo, dedicação etc. A analogia com o PDCA tem todo sentido, porque devemos nos colocar em posição de abertura e de busca de melhoria como um processo. A proposta de reforma do ensino médio por meio de medida provisória (MP) tem o mérito de colocar a educação em discussão. Que a qualidade de nossa educação é ruim não é segredo.  Por outro lado, sendo a qualidade da educação medida pelas suas entregas, isto é, índices condenáveis nas avaliações, questionável senso de cidadania dos egressos do ensino médio, mão de obra pouco qualificada afetando o índice de competitividade brasileiro, é urgente que se procedam mudanças.

Sendo a educação medida pelas suas entregas, assim como as empresas, por que não iniciar um processo de melhoria contínua? Valorização dos professores, seriedade nas instituições que preparam docentes, estrutura adequada nas escolas de educação infantil e fundamental e, especialmente, que a educação se torne estratégica nos planos do país.

Como todo trabalho, qualidade inicial e processo bem estruturado possibilitam a obtenção de resultados excelentes. É urgente que problemas estruturais sejam vistos de forma processual, que ações não sejam feitas por espasmos e que a educação receba atenção de gestão. A visão empresarial tem muito a ensinar para aqueles que pensam a educação brasileira. Não serão mudanças abruptas que produzirão efeitos consistentes.

 *Lupércio Aparecido Rizzo é doutorando em Educação pela USP, Mestre em Educação e pós-graduado em Docência Universitária pela UNINOVE e Pedagogo pela FATI – São Caetano do Sul.  Coordenador de cursos de Pós-Graduação lato sensu na área da educação no SENAC Santo André. Pesquisador da Capes/ Inep com participação em pesquisas voltadas à educação e inclusão social.  Consultor e palestrante em eventos e congressos direcionados à educação, gestão intelectual e formação de professores.

 

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